
Paulo Rema
Nasci no Porto e a relação que tenho com a cidade é de afecto e descontentamento. Escrevo desde os meus dez anos, mas aprofundei o meu gosto pela imaginação escrita por volta dos 14. A escrita surgiu antes da leitura. Os primeiros livros que li não eram pertinentes o suficiente para atiçar a necessidade de escrever. Nunca ambicionei ‘ser’ escritor, mas sei que me é impossível viver sem uma caneta e papel. Metade da minha vida passei-a numa pequena povoação piscatória chamada Praia da Aguda em Vila Nova de Gaia, tendo como vizinho permanente, o mar. Esta presença moldou parte da minha maneira de ser, fosse pelo isolamento dos longos Invernos e pelas casas de Verão – dos outros – vazias, mas também, pela durabilidade dos dias e como a escrita permanecia como a única coisa precisa e continua ao longo do ano. O campo de cultivo dos meus avós, levava-me para outras sensações: femininas e familiares. Um paradoxo em relação ao mar. as conversas, o ritmo das estações.
A música também faz parte do que continuo a ser. Comecei como escutador de música, ouvindo rádio e os discos dos meus pais. Mais tarde comecei a tocar bateria, sintetizadores, guitarra e nunca mais parei. Dedico-me (mais) ao experimentalismo, noise, dark-amb., minimalismo, embora não me seja fácil rotular o que toco ou componho. A poesia acompanhou-me nessa saga pouco nórdica. Escrevia as letras e compunha. A música, afinal é poesia. A par da música, e acompanhando os primórdios da escrita, gravo sons do que me rodeia e ando sempre munido de gravadores. Não sei, lendo o que escrevi desta biografia, até agora, se isto é uma biografia, de facto.
A inspiração vem do que me rodeia. Os animais, as plantas, o mar, as nuvens. Viagens longas de comboio aperfeiçoaram as palavras que escolhia para os poemas. Sem me separar delas, observava-as de longe, como um estranho que as reconhece.
Aquando do lançamento do meu primeiro livro, fui mencionado por José Lello no Expresso, como uma das sugestões para o Natal e no programa de Marcelo Rebelo de Sousa.
Apresentei em diversos lugares (Livraria Flaneur, Mosteiro da Serra do Pilar e Hortus Conclusus, Loja de discos Socorro, Livraria Centésima em Braga), algumas considerações ou impressões sobre um dos meus grandes amores: o Japão e os Haikai.
Bibliografia:
O Coleccionador de Palavras (2005), Pena Perfeita – Contos
Cruzei-me com a Felicidade e Fingi não Conhecê-la (2007) – Poesia (edição de autor)
Névoa ou a Chuva sem fim (2013), Poesia Fã-clube – Poesia Revista Piolho, nºs 19 e 20 – Poesia
Revista Diversos nº23 – Poesia
Poesia e artigo no Expresso Junho de 2016 – artigo de Nicolau Santos Acordança (2017), Bicho de Sete Cabeças – Poesia
Revista Nervo nº 1, 2018
Revista Tutano, Livraria Poetria, 2019 Revista Apneia – 2019 – Poesia Revista A Bacana, 2020 – Poesia
Da Minha Boca Navios Cansados – Edições Humus, 2023 – Poesia
