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Museu de Lamego distinguido com duas menções honrosas nos Prémios APOM 2022

O Museu de Lamego foi distinguido com duas menções honrosas, nas categorias de Inovação e Criatividade e Incorporação, em cerimónia realizada no passado dia 27 de maio, na Academia Militar da Amadora.

Inserido na programação de serviço educativo, foi contemplado, na categoria Inovação e Criatividade, o Concurso Escolar de Escrita Criativa Estórias [im]prováveis (2º edição), que o Museu de Lamego e a Rede de Bibliotecas de Lamego promovem anualmente desde 2020.

Já na categoria Incorporação, foi distinguida uma carta do bispo de Lamego D. João Camelo (1506), manuscrita, em pergaminho, com selo pendente, doada ao Museu de Lamego por João Pedro dos Santos.

Inovação e Criatividade | Estórias [im]prováveis – concurso escolar de escrita criativa

Estórias [im]prováveis é um concurso escolar de escrita criativa anualmente promovido pelo Museu de Lamego e Rede de Bibliotecas de Lamego, que parte do reconhecimento do objeto artístico e do património histórico-cultural para o incentivo de hábitos de leitura e a criatividade literária dos alunos, através do desenvolvimento de textos narrativos ou poéticos.

A segunda edição do concurso, que teve lugar em 2021, conheceu grande projeção a nível nacional, motivada pela programação complementar desenvolvida enquanto decorria o concurso, que contou com a participação especial dos escritores Maria do Rosário Pedreira, Tiago Salazar e Alexandre Hoffmann Castela.

Depois da primeira edição ter sido dedicada em exclusivo às obras de arte do museu, como inspiração para a criação de textos narrativos em prosa ou verso, a segunda privilegiou um formato que se estendeu pelos monumentos da cidade. Como resultado, um maior número de Estórias [im]prováveis a concurso, uma maior abrangência do património local representado e, naturalmente, uma edição avantajada em relação à anterior. O concurso cresceu! Cresceu igualmente pela diversidade de iniciativas realizadas durante o período em que decorreu o concurso. Desde logo, a sessão de apresentação, que propiciou o encontro de alunos do Agrupamento de Escolas Latino Coelho com Tiago Salazar, numa Conversa sobre escrita criativa, no início do ano letivo. Posteriormente, em abril, o concurso seria pretexto para uma Conversa [im]provável sobre Arte e Literatura, que reuniu os escritores Maria do Rosário Pedreira, Alexandre Hoffmann Castela e, de novo, Tiago Salazar, numa reunião zoom, com transmissão na página de Facebook do museu.  Às conversas sucederam-se as Visitas [im]prováveis motivadas por um novo olhar que nos trouxe, sobre a coleção de pintura europeia, Alexandre Hoffmann Castela, o convidado para conduzir a primeira visita.  Na seguinte, foram os participantes do concurso, que se inspiraram nas obras de arte do museu, a orientar o público por um percurso de redescoberta por toda a exposição permanente, a partir das narrativas que criaram. O anúncio e entrega de prémios teve lugar em maio, numa sessão realizada no Museu de Lamego, que contou com o apoio da Leya e participação especial de Tiago Salazar, por serem de sua autoria os livros dos pacotes que receberam os alunos vencedores – O Magriço. A verdadeira história de D. Álvaro Gonçalves Coutinho, um dos Doze de Inglaterra; A Escada de Istambul e Viagens Sentimentais. Num desdobramento feliz desta 2.ª edição do concurso, no final do ano letivo, teve lugar a Exposição [im]provável, corolário do projeto educativo, que teve como tema o Museu de Lamego e as suas coleções. Desenvolvido, em contexto de sala de aula, nas disciplinas de ciências da natureza, educação musical, educação visual e tecnológica, história, matemática e português, o projeto envolveu os alunos do 5.º D do Agrupamento de Escolas de Latino Coelho (Lamego) e do curso profissional técnico de multimédia e esteve na origem da produção de vídeos, e-books, bandas desenhadas, postais pop-up, sopas de letras e crucigramas, que ocuparam a sala de exposições temporárias em junho passado. Por fim, todas as Estórias a concurso foram publicadas numa edição online, de acesso livre.


Incorporação | Carta do bispo de Lamego João Camelo (1506). Manuscrito em pergaminho

Uma carta de 15 de janeiro de 1506, assinada em Trevões, pelo bispo de Lamego D. João Camelo de Madureira (1502-1513) é o único documento conhecido, que conserva a marca sigilar deste prelado, célebre por ter sido o responsável pela encomenda do retábulo do altar-mor da Sé de Lamego ao pintor Vasco Fernandes (Grão Vasco), por contrato de 7 de maio do mesmo. Adquirida em leilão, por João Pedro de Oliveira Santos, em janeiro de 2020, foi doada ao Museu de Lamego, a 20 de fevereiro, numa oportunidade de reunir numa conversa online, o doador e a equipa de investigadores que se debruçaram sobre o estudo do documento, Maria João Oliveira e Silva, Maria do Rosário Morujão e Nuno Resende, os autores de num número especial da publicação da revista online do museu, INventaMUSEU.

Para além da inequívoca importância documental do bem doado, por constituir uma das duas fontes conhecidas da marca sigilar do bispo de Lamego, João Camelo de Madureira, responsável pela encomenda, em 1506 (data da carta manuscrita), do retábulo mor da catedral de Lamego, ao pintor Vasco Fernandes, no qual figura justamente a segunda fonte iconográfica, acrescente o caráter inédito da doação: a aquisição, do manuscrito, em leilão, por parte de um particular – João Pedro de Oliveira Santos – com o propósito de o mesmo vir a ser integrado na coleção do Museu de Lamego.

Com efeito, excetuando as aquisições realizadas por iniciativa das várias associações de Amigos do Museu, especialmente ativas entre as décadas 20 e 40 do século passado, não são comuns exemplos semelhantes no histórico de doações do museu. Construída em sucessivas camadas, a coleção do Museu de Lamego é muito devedora à mais de meia de centena de doadores e legatários, que ao longo dos anos têm contribuído para o seu enriquecimento. A grande parte dessas doações, realizadas em contextos de guerra (2.ª Guerra Mundial e Guerra Colonial Portuguesa), encontramos o desejo de preservação de memórias pessoais e familiares, por meio de uma segunda vida dos objetos, que a sua musealização faz antever. Contrariando essa tendência, a presente doação revela uma mudança de atitude que, paulatinamente, tem vindo a impor-se, relacionada com a consciência de que a salvaguarda do património é, antes de mais, um dever de cidadania, e a democratização do acesso e fruição do mesmo, uma questão primordial. Com esse claro objetivo, numa iniciativa exemplar do doador, o manuscrito foi alvo de estudo, por uma equipa de três historiadores – Maria João Oliveira e Silva (transcrição e análise paleográfica do manuscrito), Maria do Rosário Morujão (estudo de sigilografia) e Nuno Resende (contextualização do manuscrito), que ao longo de 2020, se debruçaram sobre o documento, de modo a fazer coincidir a sua entrega ao museu, com a disponibilização de uma publicação que compilasse o trabalho realizado, pretexto para uma edição especial da revista INventaMUSEU; edição igualmente especial pelo facto de a mesma ter tido a coordenação editorial do historiador Nuno Resende, inaugurando um modelo que pretendemos venha a repetir-se no futuro, de chamar à participação externa a coordenação de publicações periódicas do museu.