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E-catálogo | Torso Feminino

Um Museu para todos. O Olhar de cada um

[a peça] Torso Feminino

Lamego (?)

Séc. I d.C. (época romana)

Escultura de vulto em mármore

Fórum da antiga cidade romana de Lamego (?); Castelo de Lamego

Inv. ML 558

Apesar da excecionalidade deste torso feminino no contexto dos achados romanos encontrados na região de Lamego – pela sua volumetria, material empregue e qualidade plástica -, a verdade é que muito pouco se sabe sobre a sua origem.

Num manuscrito de frei Joaquim de Santa Rosa Viterbo, conservado na Biblioteca Municipal de Viseu, refere-se que a peça foi encontrada junto dos muros de Lamego, em 1758 – à época, já sem cabeça, levando o autor a supor que a mesma poderia ser de bronze. Com efeito, a cavidade superior indicia ter a cabeça amovível e, por isso, facilmente separável do corpo. Infelizmente, Viterbo não refere o local exato onde foi encontrada, nem as circunstâncias do achamento, que seriam muito importantes para descodificar a organização da antiga cidade romana de Lamego.

Do que não parecem restar dúvidas é ter representado uma figura ilustre, uma imperatriz ou divindade, talvez a deusa da Fortuna, se for certa a ligação com uma ara votiva encontrada em São Pedro de Balsemão (Lamego). O facto de ter sido executada em mármore, material estranho à região, demonstra o poder aquisitivo por parte do encomendador.

O tratamento escultórico é mais sintético nas costas, por, certamente, a obra se destinar a ficar encostada a uma superfície parietal. A figura apresenta-se ligeiramente contracurvada, apoiando-se na perna esquerda, com a direita fletida, o que salienta o ventre um pouco inflado e o relevo do joelho esquerdo. Sobre túnica talar, de decote subido, enrugada sobre os seios em pregas angulosas, enverga um amplo manto (com vestígios de pigmentação em tom púrpura na parte posterior), preso sobre o ombro esquerdo, a cruzar as costas e o baixo-ventre, caindo a aba direita sobre o braço esquerdo em pregas paralelas e verticais. Na base do pescoço foi aberta uma concavidade destinada a receber a cabeça amovível. No que resta dos membros superiores divisam-se esquerda, a quase totalidade do braço direito, e parece ter sido jarretada ao nível dos pés.

Doada ao Museu por Acácio Magalhães (anos 1920 – 30), à época presidente da Câmara Municipal de Lamego, a estátua encontrava-se num terreno seu, onde era utilizada como cepo para cortar lenha.

[a escritora] ANDRÉA ZAMORANO

[o conto]

“A Fortuna de lama”, in Um Museu para todos. O Olhar de cada um, p. 59.

[a citação]

 Quem sabe um dia a Fortuna lhe sorrisse também.