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In Memoriam | E-Catálogo | O Batismo de Cristo

Batismo de Cristo

(réplica)

Teixeira, c. 1645

Pintura a óleo sobre madeira

Integrada na narrativa pictórica dedicada ao orago da capela de São João Batista, proveniente do claustro do extinto Mosteiro das Chagas e ereta no Museu de Lamego, a figuração do Batismo de Cristo faz parte de um conjunto de sete tábuas de saborosa ingenuidade, na decoração do altar principal, destinado a albergar a imagem do padroeiro. Assinada pelo pintor, ou pintora, TEXEIRA, de quem se desconhece por completo a biografia, nesta como nas outras pinturas que narram a vida de São João Batista, do Nascimento à Degolação, facilmente se deteta a inspiração na obra de mestres da pintura europeia, reproduzida em gravuras, que circulavam pelas oficinas dos artistas.

O mesmo modelo iconográfico é seguido pelo prestigiado pintor maneirista Amaro do Vale (m. 1619), no conjunto retabular que decora a capela do Santíssimo Sacramento da Sé de Leiria[1], executada entre 1605-1606, a mando do prelado D. Martim Afonso Mexia, nomeado para a diocese de Lamego em 1615, indiciando uma prática de circulação e repetição de modelos, muito comum na encomenda religiosa.

O significado imanente do Batismo de Cisto, cujo nascimento imaculado dispensava este ato purificatório, é justificado como um dos indícios da sua humanidade que, para cumprir a vontade divina, se fez solidário com a humanidade pecadora, mas fornece, em contrapartida, a sua purificação ao instituir este sacramento como substituto da cerimónia iniciática da circuncisão judaica. Segundo o relato bíblico, o Batismo ocorre nas margens do rio Jordão, sendo a corrente de água viva e purificadora que fundamenta a celebração do rito ao mesmo tempo que retoma o simbolismo do rio que fertilizava os jardins do Éden (ROQUE, 1998: 62).

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[1] Agradecemos ao Tiago Araújo a informação sobre a pintura em causa.

Bibliografia

ROQUE, Maria Isabel (1998) – «Batismo de Cristo». Fons Vitae. Pavilhão da Santa Sé na Expo’98. Lisboa