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Bacia para a cerimónia do lava-pés

João Rodrigues da Costa Negreiros (ourives), José Coelho Sampaio (ensaiador)

Porto, 1775-1800

Prata batida, cinzelada e incisa

Proveniente do antigo paço episcopal de Lamego

Inv. ML209

Sabendo Jesus que o Pai depositara nas Suas mãos todas as coisas e que havia saído de Deus e ia para Deus, levantou-Se da mesa, tirou as vestes e, tomando uma toalha, colocou-a à cinta. Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a tolha que pusera à cinta [Jo. 13, 3-5].

Rememorado durante as celebrações da Semana Santa, o cerimonial do lava-pés evoca o costume oriental da ablução dos convivas, antes do repasto. Função habitualmente assumida por escravizados, marca o propósito de humildade que Cristo assumiu na sua condição humana. Como recuperação do episódio em que Abraão pratica idêntica ação em relação às três figuras que surgiram junto a Mambré, sugere uma aproximação ao sacramento da penitência. Paralelamente, e em consonância, a água surge, como elemento lustral, símbolo do batismo dos apóstolos na preparação para a ceia eucarística (ROQUE, 1998:101).

Proveniente do antigo paço episcopal de Lamego, a bacia para a cerimónia do lava-pés faz parte de um conjunto formado também por duas bilhas para água, com a mesma datação e do mesmo ourives. Tal como as bilhas, a bacia possui grande força expressiva, resultante do material empregue na sua produção e elegância formal, na qual impera a sobriedade e despojamento decorativo, reduzido a uma faixa rocaille, na molduração do rebordo, com motivos de concheados e entablamentos arquitetónicos a partir dos quais se alongam volutas conjugadas com grinaldas.  

Bibliografia

ROQUE, Maria Isabel Rocha (1998) – «Lava-Pés». Fons Vitae. Pavilhão da Santa Sé na Expo’98 (catálogo). Lisboa.