Horário: Todos os dias. Das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00

Ciclo de Fotografia de Lamego e Vale do Varosa | A Casa

A CASA, AS CASAS

 

Oh as casas as casas as casas

as casas nascem vivem e morrem

Enquanto vivas distinguem-se umas das outras

distinguem-se designadamente pelo cheiro

variam até de sala pra sala

(…)

Ruy Belo

 

As casas, as casas das nossas vidas não as descrevemos pelo número de metros quadrados, pelo número de quartos, nem pelos tijolos e cimento, pedra e argamassa. As casas, as nossas casas são feitas de outras coisas aparentemente insignificantes que as contam, que nos contam: um móvel e a sua história, uma mancha no teto, os pequenos altares privados feitos de vestígios que nos remetem para acontecimentos da vida, para pessoas, para alegrias e tristezas, risos e choros, fantasias e desilusões, vozes e silêncios. As casas não nos deixam esquecer porque retêm e guardam o tempo salvando-o da perda total. São as casas que nos levam aos sótãos da memória e nos conduzem por corredores amarrados pelo esquecimento.

É o lado imaterial das casas que as tornam uma realidade universal, que justificam o tema que propusemos para a edição deste ciclo. Partimos da ideia que há uma “casa comum” embora assuma formas tão distintas em diferentes épocas, em diferentes latitudes.

Em tempos em que a casa ganhou uma centralidade inesperada com a pandemia, os fotógrafos convidados trazem-nos casas, as suas casas, as casas de outros, as nossas casas.

 

Curadoria: Manuela Matos Monteiro | João Lafuente

Organização: Museu de Lamego | Mira Forum

Museu de Lamego | Mosteiro de Santa Maria de Salzedas | Torre de Ucanha

De 24 de julho a 31 de outubro de 2021

Entrada livre.

MUSEU DE LAMEGO

Museu de Lamego

Largo Camões, 5100-147 Lamego

Horário: segunda a domingo, 10:00-12:30, 14:00-18:00

“A Casa na obra de Alfredo Cunha”

Alfredo Cunha

Desafiámos o Alfredo Cunha para propor um trabalho sobre a casa para integrar o Ciclo de Fotografia de Lamego e Vale do Varosa 2021. A resposta imediata foi “Não tenho! Fotografo pessoas, fotografo a vida vivida, fotografo gente.” Recordamos-lhe que as pessoas acontecem nas casas plantadas em lugares onde predomina a natureza e também em lugares urbanos onde domina o construído. Ele entusiasmou-se com o desafio e enviou-nos centenas de fotografias com gente nas ruas com casas, em frente a casas, dentro de casas, em escombros de casas destruídas pela guerra ou por catástrofes naturais.

 

Foi a partir das suas imagens com origem em várias latitudes que discorremos sobre o que significa a casa para os seres humanos que habitam o planeta: casa-cubata, casa-barco, casa-térrea, casa-barraca, casa-grande-pequena, casa-pobre, casa-rica, casa-tenda para quem não tem casa e perdeu o país … Percebemos que  a casa é antes de mais um abrigo, um resguardo que assume formas tão diversas porque se contam em tempos diferentes, respondem a necessidades diferentes, refletem estatutos sociais distintos e são manifestos de formas diferentes de viver a vida. E a morte, na última morada, na última casa.

O trabalho de Alfredo Cunha constitui assim uma prova de humanidade das casas.

Exposições | Vídeos

“Casas sem gente” de Inês d’Orey

“Casas de Brasileiro: um registo de afetos” de Júlio Matos

“A Casa sou eu” de Lucília Monteiro

“Sem casa” de Paulo Pimenta

MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE SALZEDAS

Mosteiro de Santa Maria de Salzedas

Praça António Pereira de Sousa, Salzedas

Horário: quarta a domingo, 10:00-13:00 e 14:00-18:00

terças, 14:00-18:00

“Em casa | MIRA Mobile Prize 2021”

A casa foi sempre um espaço fundamental das nossas vidas mas a pandemia tornou-a o centro das nossas existências. Deixou de ser o lugar para onde se regressa depois do trabalho e das aulas para ser o lugar onde se está sempre tendo-se transformado no escritório, na escola, no ginásio …

A resposta ao tema “Em casa” na 11ª edição do concurso internacional MIRA Mobile Prize revelou-nos de que modo este espaço está a ser encarado nos cinco continentes. As 50 fotografias da shortlist que agora se expõem dão-nos uma imagem plural de como os seus autores veem a casa: um escape, um santuário, uma prisão, uma fonte de descoberta e também de frustração.

Recebemos milhares de fotografias e constatámos que as janelas são claramente a imagem que prevalece: essas aberturas, esses olhos das casas representam as saudades que todos sentimos da vida solta e livre no espaço aberto.

 

Gianluca Ricoveri – vencedor da 11ª edição do MIRA Mobile Prize

Mónica Brandão – concorrente portuguesa mais bem classificada

Agnieszka Gietkowska | Alon Goldsmith | Anna Witkowska | Antonieta Monteiro | António Jota Gonçalves | Arina Francke | Armineh Hovanesian | Augusto Lemos | Aung Ko Latt | Ayanava Sil | Becky Menzies | Catherine Caddigan | Clarisse Debout | Dale Botha | Dália Santos | Eliza Badoiu | Eoin ONeill | Fiona Christian | Glenn Homann | Heather McAlister | Helge Jorgensen | Isabel Nolasco | Jorge Pedra | Katya Rosenzweig | Leandro Selister | Linda Hollier| Lorenka Campos | Lucia Melo | Luis Domingos | Luis Rodriguez | Mal McCann | ManuelaVaz Marian Seid Rubin | Mary Jane Rosenfeld | Mary Joy Ganitano | Mirosław Radomski | Nicole Christophe | Pati John | Paula Veloso | Pier Luigi Dodi | Rita Moniz | Roger Guetta | Salomé Carvalho | Sara Seldowitz | Sarah Bichachi | Shubham Pati | Tetê Schmidt | Vera Carlotto

TORRE DE UCANHA

Torre de Ucanha

Rua do Variante do Vale do Varosa 1

Horário: terças, quartas, sextas e sábados, 10:00-12:30 e 14:00-18:00

“Casa Forte” 

Sérgio Rolando

 

Ao longo do Vale do Varosa, os diversos tipos de habitação refletem uma implantação secular e sedimentação social. A transformação do território é lenta, marcada quer por uma cristalização da arquitetura vernacular, quer pela alteração gerada pela vida contemporânea, resultando numa grande diversidade de edifícios, tradições e métodos construtivos.

Estas características contribuem para que o conjunto de fotografias remetam para um encontro entre o espaço público e o privado, onde a paisagem e a topografia sublinham um sentimento identitário enraizado e característico da região.

São fotografias de paisagem, que resultam de uma relação individual com o assunto, combinando objetividade com visão pessoal – documento e discurso. Real, imaginária, simbólica, experiencial e mnemónica, sugerem uma realidade sobre a qual se construiu uma representação. Pretende-se que interroguem e comuniquem acerca do meio ambiente, convidando os espectadores a considerar, reafirmar ou questionar, o sentido e a natureza do lugar.

Geográfica, autobiográfica, metafórica ou sociológica, em conjunto ou isolada, a paisagem refere-se a uma prática quotidiana. Ao invocar memórias, as fotografias atuam como substitutos da experiência, contribuindo para a formação de um sentimento de identidade individual e coletiva. (Sérgio Rolando)

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Nota biográfica

Sérgio Rolando (1978). Vive no Porto, onde trabalha como fotógrafo e como docente no ensino superior. Estudou fotografia no IPF, licenciou-se em Tecnologia de Comunicação Audiovisual e é Mestre em Fotografia e Cinema Documental pela ESMAE.

No seu trabalho procura uma representação, interpretação e construção visual sobre os assuntos da Paisagem, Arquitetura e Território. Foi Bolseiro de Pépinières Européennes pour jeunes artists (2003), ESMAE (2011) e Instituto Camões (2015/2016)

Expõe regularmente em Portugal e no estrangeiro, possuindo diverso trabalho publicado.