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Sacrifício de Isaac

Sacrifício de Isaac

E estendeu Abraão a sua mão, e tomou o cutelo para imolar

o seu filho;

Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde os céus, e disse:

Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui.

Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não

lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não

me negaste o teu filho, o teu único.

Então levantou Abraão os seus olhos, e olhou; e eis um

carneiro detrás dele, travado pelas suas pontas num mato; e

foi Abraão, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, em

lugar do seu filho.

(Génesis 22:10-13)

 

A pintura, figurando o sacrifício de Isaac, um dos episódios mais dramáticos do Antigo Testamento, deriva de uma composição de Peter Paul Rubens (circa 1612-1613), de grandes dimensões, que se encontra no Nelson-Atkins Museum of Art, no Kansas (Estados Unidos da América), difundida através de uma gravura, datada de 1638, do flamengo Andries Jacobsz Stock (1580-1648).

O mestre flamengo descreve a intensidade física e psicológica do momento em que Deus, por intervenção do anjo, trava o gesto do patriarca Abraão, no preciso instante em que este se prepara para desferir o golpe sobre Isaac, concentrando toda a força emotiva no alívio após o julgamento supremo.

Abraão olha para o anjo com surpresa e medo. Ao lado, e contrastando com a sua corpulenta figura, o jovem Isaac ajoelhado, as mãos atadas nas costas e a cabeça inclinada de lado, expondo a garganta. Atrás de Isaac, a pedra de altar e uma panela por onde sobe o fogo do sacrifício.

Ao invés da obra de Rubens, que é dominada pela tensão emocional das personagens – que ocupam praticamente todo o espaço disponível – e inclui a presença do carneiro referido na passagem bíblica, a versão do Museu de Lamego, além de uma evidente redução de escala e da alteração do formato vertical para horizontal, faz deslocar as personagens para a direita, onde passam a ocupar apenas cerca de um terço da composição, sendo a restante superfície preenchida por paisagem.

A pintura pertence a um conjunto de quatro, executadas sobre lâminas de cobre, que faziam parte da pinacoteca que existia no antigo paço episcopal – conjunto esse habitualmente associado ao bispo D. Nicolau Joaquim Torel da Cunha Manuel (1771-1772), sobre quem se refere ter possuído quatro pinturas de Rubens, numa provável alusão a estes exemplares.

 

Oficina de Abraham Willemsen (atribuído), a partir de original de Rubens

Antuérpia, circa 1650-1675

Pintura a óleo sobre lâmina de cobre

Antigo paço episcopal de Lamego

Inv. ML 24