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Gravura Restituet omnia

Restituet omnia

A frase latina “Restituet omnia”, que dá o título à portada alegórica, foi utilizada como divisa da Academia Real da História Portuguesa, traduzindo o seu objetivo de escrever a história de Portugal e assim restituir ao mundo o conjunto de ações gloriosas dos lusitanos.

Aberta por Vieira Lusitano, que fora o autor do desenho e, posteriormente, também por François Harrewijn e Pedro Rochefort, dependendo dos gravadores a estampa surge com diferentes subscrições em diversas obras saídas dos prelos da tipografia da Academia Real de História Portuguesa, sendo a mais importante a História Genealógica da Casa Real, de António Caetano de Sousa, publicada em 19 volumes entre 1735-1748.

Com a fundação da Academia Real de História Portuguesa, por D. João V, em 1720, estabelece-se a primeira oficina de gravura em Portugal, onde trabalharam importantes artistas nacionais e estrangeiros. Para além do pintor e ilustrador português Vieira Lusitano, a Academia contratou buriladores franceses e flamengos, entre os quais os já referidos Pedro Rochefort e François Harrewijn.

Júlio Castilho inclui na sua obra “Amores de Vieira Lusitano”, publicada em 1901, uma das melhores descrições desta alegoria, admitindo que a figura feminina, em primeiro plano, que personifica a História, possa ter tido como modelo dona Inês Helena de Lima e Melo, com quem Vieira Lusitano viveu uma muito conturbada história de amor contrariado, com final feliz. Castilho observa na lima, que a figura segura com a mão esquerda, uma clara reminiscência do apelido de Inês, e na romã, uma alusão iconográfica a Prosepina, separada de Plutão e só passados seis meses restituída, numa referência à história de amor de Inês e Vieira Lusitano. A estampa do Museu de Lamego foi possivelmente adquirida na década de 1930, numa altura em que exemplares desta gravura eram relativamente vulgares no mercado, embora, por vezes, atingissem preços exorbitantes.

 

François Harrewijn (1700-1764), a partir de Vieira Lusitano (1699-1783). Editor: José António da Silva

Lisboa, 1730

Proveniência: Compra (Grupo de Amigos do Museu de Lamego), 1928-1940

Inv. ML 925