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Contador

Contador

Contador executado na tradição revivalista do século XIX que recria a forma e a decoração dos pequenos escritórios executados na Alemanha, Países Baixos e Nápoles cerca de 1600. Exportados para toda a Europa, estas pequenas peças portáteis possuíam frentes com portas que tapavam um interior com pequenas gavetas agrupadas em torno de um compartimento central, ocupado por uma gaveta ou por um pequeno armário com porta. A substituição do tampo frontal por duas portas que abriam ao centro acentuou a sua função de guarda de pequenos objetos. Na realidade, tratava-se originalmente de um móvel ligado à escrita (o tampo formava uma superfície para escrever). A produção de mobiliário com ébano e marfim revestindo carcaças de madeiras menos nobres parece ter-se desenvolvido na Itália do século XVI, para onde foi levada pelos artífices alemães e dos Países Baixos. Daí terá passado rapidamente a outros centros europeus. Característico da produção de Antuérpia, porto especializado no comércio de luxo, foram os pequenos contadores de portas, decorados por placas geométricas de marfim alternando com bandas de ébano, as primeiras gravadas com um repertório ornamental de teor naturalista que incluía flores e frutos, paisagens e figuras alegóricas, traçadas a tinta. A combinação do negro do ébano com o marfim permitia um austero contraste cromático, refletindo o gosto europeu pelo vestuário de corte espanhol, rapidamente transporto para o mobiliário. Aliás, a produção de Nápoles, que rivalizou com a produção de contadores de ébano de Augsburgo, destinava-se inicialmente ao mercado espanhol, reflectindo o gosto da clientela a que se dirigia.

 

Portugal

Séc. XIX

Casquinha, ébano e marfim

Doação de Fausto Guedes Teixeira

Inv. ML 502